Fomento

Mais espaço para a expressão artística e para o universo criativo

Iniciativa da Otroporto, edital com financiamento do Procultura do município, abre inscrições para a seleção pública novas obras para a galeria da entidade

Fotos: Ítalo Santos - Especial DP - Desde 2018, sede da associação vem recebendo obras de arte de diferentes dimensões, construídas nas mais variadas técnicas, a maioria delas feitas nas paredes

A Associação Otroporto Indústria Criativa abriu inscrições, que vão até o dia 5 de novembro, para seleção pública de dez artistas, que irão criar e confeccionar painéis nas paredes e tetos da sede da entidade, obras estas que vão integrar o acervo da Galeria Otroporto Connexion. O edital - que pode ser acessado pelo endereço: https://otroporto.com.br/noticias/edital-galeria-otroporto - tem financiamento do Procultura de Pelotas e apoio da Connexion Export e Sagres Agenciamentos Maritmos.

Há cinco anos a sede da Associação deu início a uma proposta de incentivo e divulgação dos artistas da arte urbana em Pelotas. Mas foi o artista plástico e grafiteiro paulista José Augusto Amaro Handa, que assina como Zezão, que fez a primeira arte em uma parede da sede, em 2018. Logo a seguir outros grafiteiros foram convidados para levarem mais arte para a sede da rua Benjamin Constant.

O produtor cultural Duda Keiber, diretor da entidade, conta que logo a equipe percebeu que as obras eram apenas de grafiteiros homens. A ideia então foi trazer outras representações artísticosociais. Então, para trazer a diversidade desejada foram criados os editais. Atualmente a galeria tem obras de artistas brasileiros e de fora do país, em diferentes suportes, técnicas e dimensões (bi e tridimensionais), todas identificadas com placas de acrílico, transformando toda a sede em uma galeria pública, formada coletivamente.

Segundo Keiber, 95% das obras estão catalogadas, com fotos e fichas técnicas, e podem ser acessadas pelo site https://otroporto.com.br/. O diretor comenta que esse inventário é também uma forma de proteger o acervo, boa parte dele impresso nas paredes da sede. "Aqui tem umidade e a gente também pode mudar uma parede", explica.

Desta vez há vagas para dez artistas, mas o projeto terá uma segunda etapa em abril de 2024, com mais dez espaços para a arte, também financiada pelo Procultura. "O procultura é uma ferramenta maravilhosa, que ajuda muito os artistas locais", comenta. As obras do primeiro edital devem ser executadas até março do próximo ano e o objetivo é que a arte cubra inteiramente as paredes da sede.

Mais uma vez, apesar de ter abrangência nacional, o edital também aceita artistas estrangeiros, apenas estão vetados nomes que participaram de um edital anterior. Os participantes cujas obras forem selecionadas pela Comissão Curadora receberão, além de cachê de R$ 750,00, material necessário para a execução de sua obra e certificado de participação, além de ter cobertos os custos de viagem até 550 quilômetros e hospedagem. Acima dessa distância a Otroporto não paga passagens, mas consegue resolver problemas com a estada.

Os trabalhos inscritos deverão estar de acordo com a temática Águas & Pessoas. "A gente espera trazer novos artistas para também comunicarem com a rede, porque a gente sempre busca fazer algum tipo de ação educativa, seja com escolas ou por meio de mesas redondas, palestras, também para outros artistas e para a comunidade, o que possibilita essa galeria cosmopolita."

Além do edital para a participação de novos artistas, a proposta contempla visitações guiadas nas terças e quintas-feiras, com a condução do artista Bero Moraes. "Esse trabalho do Bero com as visitas guiadas já vem acontecendo há muito tempo, o Procultura entra agora como subsidiador e também de dois novos editais que vão selecionar dez novos artistas cada um, então são 20 artistas."

O projeto ainda previu uma verba para a reforma e manutenção da galeria. Como a sede fica à beira do canal São Gonçalo, a umidade é um dos maiores desafios para se manter o acervo em boas condições.

Atividades gratuitas

Criada há cinco anos, a associação se coloca como "elemento integrativo entre economia, meio ambiente e comunidade, focada em apoiar e desenvolver iniciativas que gerem pertencimento, fruição, educação, formação e cidadania", por meio de ações culturais e educativas, que integram outras entidades e a comunidade em geral da região do Porto.

Uma das principais características dessas ações está na gratuidade de todas as ações desenvolvidas para o público alvo. Para ocorrer dessa forma, os coordenadores da entidade trabalham em busca de financiamento por meio de leis de incentivo.

Atualmente são 16 projetos em andamento, que geram diferentes ações que geram cultura, educação e fomento a renda. Entre as atividades, projetos e/ou entidades parceiras da Otroporto estão: o Instituto Hélio D'Angola, Outro Sul Hip Hop, Cine Céu do Porto, Spray'sons, Tholl, Porto Memória, Cruzeiro do Saber e Faber Sapiens. "Hoje nós funcionamos assim, temos vários projetos sendo executados, vários patrocinadores, cada projeto contempla uma série de colaboradores e a galeria é um dos projetos", comenta o diretor.

Neste dias, por exemplo, além de celebrar a abertura do novo edital da Galeria Otroporto Connexion, a coordenação festeja mais uma novidade: a aprovação, pela Lei Rouanet, do projeto da Doceria Escola, que vai proporcionar cursos gratuitos para a formação de 45 participantes, além de um ponto de venda destas iguarias.

Quem vai coordenar o projeto é a doceira e professora e chef Kriss Fernandes. A Doceria Escola é uma idealização do professor Lauro Barcellos e também conecta o viés de formação do CCMar-Furg à Otroporto. O projeto vai ser instalado em um galpão lateral à sede. "Calcado nesse identidade doceira de Pelotas, busca formar novos doceiros", fala Keiber.

O diretor comenta que o melhor da associação é ser esse elemento de união entre outras entidades e iniciativas. "A gente divulga pouco, mas chega muito pedido de apoio, tem coisas que a gente não dá vencimento, como a gente trabalha por projeto, o que temos são rubricas. Às vezes a gente consegue com um apoiador satisfazer aquela demanda, mas só o nosso quadro de projetos absorve ações e detalhes, que nos toma tempo integral."

Conheça alguns dos projetos

Laboratório Faber Sapiens
O Laboratório Faber Sapiens é um espaço didático, que atende alunos de escolas públicas, desde o primário até as séries finais do Ensino Médio, nos turnos escolares ou inversos. A ação, iniciada este ano, tem projeto do Estúdio Fernanda Pereira e a coordenação do professor Guy Barcellos. Durante os encontros os estudantes são apresentados ao básico da ciência, com a demonstração de processos simples do cotidiano até as maiores problemáticas que ocorrem nos ecossistemas. O objetivo é instigar o pensamento crítico, alicerçado na ciência.

A equipe Laboratório é formada por Guy Barcellos, Ricardo Assumpção e Ricardo Oliveira."No Laboratório a gente faz atividades para as escolas da educação pública, o espaço tem grande potencial para se fazer experimentações, de se levar aos alunos esse contato com a ciência, aqui ele têm acesso a materiais que, muitas vezes, nas escolas não têm. A gente faz experimentos, mostra para eles a interação das plantas, dos insetos, a dinâmica dos aquários", fala o estudante universitário de Biologia, Ricardo Oliveira, monitor do Laboratório.

Biblioteca
A Biblioteca da associação é um equipamento cultural de incentivo à leitura, indo de encontro às características da associação em ser um elemento integrativo entre economia, meio ambiente e comunidade. A proposta possui como foco principal o apoio e desenvolvimento de iniciativas que gerem pertencimento, fruição, educação, formação e cidadania. O espaço tem livre acesso à toda comunidade.

Cruzeiro do Saber
O projeto Cruzeiro do Saber foi idealizado e é coordenado pelo professor Lauro Barcellos. Realizado pelo CCMar-Furg e Otroporto Indústria Criativa, a iniciativa visa a dar visibilidade, valorizar, preservar e enaltecer a hidrovia que liga as cidades de Pelotas e Rio Grande através de especialíssimos passeios didáticos nos barcos-escola do Centro de Convívio dos Meninos do Mar. Desta forma, a iniciativa pretende compartilhar a história, a natureza, a economia e outros aspectos diretamente ligados à funcionalidade, operação e geografia destas águas sagradas.

Figurinhas de Pelotas 1 e 2 e de Rio Grande 1 e 2
As figurinhas tem o objetivo de incentivar o conhecimento da rica história dos dois municípios de uma forma lúdica, poética e divertida.

Recicle
O projeto Recicle é uma ação idealizada pela empresa Sagres e focada nos conceitos de upcycling e economia circular. Através da destinação dos uniformes, EPIs e cordas portuárias - que seriam encaminhados ao descarte - para grupos de costureiras e artesãs locais e também aos alunos do CCMar-Furg (uniformes em boas condições de uso), a empresa criou uma nova vida útil através do uso criativo e do reaproveitamento dos itens. Evitar o desperdício e incentivar atitudes sustentáveis são também o norte condutor desta ideia.

Porto Memória
O projeto Porto Memória nasceu em 2016, como uma das primeiras iniciativas da Associação Otroporto, com o propósito de resgatar, rememorar e divulgar a história do Porto de Pelotas enquanto Patrimônio Cultural. Idealizado pelo produtor cultural Duda Keiber, o projeto foi confiado ao arquiteto e urbanista e pesquisador Guilherme Pinto de Almeida.
O primeiro formato do projeto foi o de coluna de jornal, e começou a circular em setembro de 2016 no periódico pelotense Diário Popular. Sempre publicada aos finais de semana. Até dezembro de 2018 foram publicadas 61 colunas sobre diversos aspectos históricos do porto, compostas de texto e iconografia histórica. As colunas contavam com a participação da jornalista Gabriela Mazza, que colaborava com informações e curiosidades da atualidade da atividade portuária. Sagres Agenciamentos Marítimos e CMPC Celulose Riograndense foram as empresas patrocinadoras. Valder Valeirão e Nativu Design assinaram o design e a edição de imagens.
Em abril de 2017 foi criado o Porto Memória nas Escolas, uma expansão do projeto Porto Memória na forma de oficinas escolares, também patrocinado pelas empresas Sagres e CMPC. Um total de 60 oficinas foram realizadas, alcançando turmas da 4ª à 9ª séries do Ensino Fundamental, bem como turmas de Educação de Jovens e Adultos.

Oficinas de Música do CCMar
O projeto busca a integração, o desenvolvimento humano e cidadão de jovens entre 14 e 17 anos, os capacitando a dominar um instrumento, o canto, a linguagem musical e elementos da composição, bem como o estímulo à prática de acompanhamento através da formação de banda musical, ensino de técnicas de estúdio, mixagem e masterização, visto que a criação de mini estúdio é também contemplada nesta iniciativa. O projeto tem a coordenação pedagógica do músico e professor Marcelo Vaz.

OTPR Studio
Este equipamento cultural funciona na sede da associação e busca incentivar, registrar, valorizar e oportunizar a cena musical da cidade de Pelotas e região.

Do Canteiro ao Prato - Pelotas
O projeto das Do canteiro ao prato - Pelotas é a replicação do projeto de mesmo nome realizado no CCMar - Centro de Convívio dos Meninos do Mar - Furg. Com esta iniciativa pioneira se busca agregar a formação, conhecimento, produção e filantropia, além da geração de emprego e o estímulo à segurança alimentar. A ideia é desenvolver um espaço de Horta Urbana em parceria com a UFPel.

Surf para a vida
Em Rio Grande, o projeto Surf para a Vida, promovido há dez anos pela Kssino Surf Escola, objetiva proporcionar a crianças e jovens em vulnerabilidade atividades esportivas, socioambientais e educativas que, através da prática do surf e da convivência em grupo, oportunizem a integração, o pertencimento, o convívio pacífico e a cidadania.


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